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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hoje foi noite de teatro

A propósito das comemorações do ano do Brasil em Portugal, o Teatro Nacional São João tem um ciclo delicioso de peças de teatro do Nelson Rodrigues. Sendo um nome desconhecido pelo senso comum - o que é absolutamente normal -, Nelson foi um grande cronista e jornalista brasileiro, mas principalmente dramaturgo. Tem imensas peças teatrais que causaram polémica aquando da encenação - isto nos anos 40 do século XX - e é um dos meus autores de teatro preferidos. É o Nelson: e isto quer dizer quotidiano, tragédias cariocas, faits divers, dia a dia, pessoas simples, linguagem simples (mas não simplista). Os textos são fortíssimos; o que aparentemente é uma coisinha light para entreter, transforma-se em algo maior, que atemoriza e deixa a pensar. Das quatro peças em cena, infelizmente só consegui ir ver Toda Nudez Será Castigada (já estiveram em cena Valsa nº 6, Otto Lara Resende ou Bonitinha Mas Ordinária e ainda A Mulher Sem Pecado). Gostei muito - principalmente porque já não ia ao teatro há muito tempo (espaço físico, claro, que ainda o mês passado o meu amigo Tiago estreou-se como encenador/autor e lá estivemos todos a apoiá-lo) e é sempre bom voltar ao São João, um espaço tão bonito e tão cheio. 
No geral, a peça foi boa; no entanto, estava com uma tendência de fazer do teatro do Nelson popular, de fazer das personagens caricaturas, como bem comentou o Paulo,  ou de fazer rir em cenas e circunstâncias que pouco têm de cómico - e estas características não são rodrigueanas. A cenografia é brutal, os atores são muito bons. Há coisas que podiam ter sido evitadas, outras que estiveram excelentes. Foi uma noite bem passada e em boa companhia. 

E o texto do Nelson - que eu não conhecia; só conhecia o enredo da peça - é fabuloso. Mais informações aqui.

domingo, 3 de abril de 2011

Glória ou como Penélope morreu de tédio

O texto é fabuloso. E dizer que é fabuloso não chega. O texto começa a corroer qualquer um mal o Albano Jerónimo diz as primeiras palavras. Riso e choro, esperança e desejo são as dicotomias que se desenvolvem no decorrer da espera que baseia a peça. A afinidade com a Odisseia, de Homero, está extremamente bem aplicada aos dias de hoje. E tendo em conta este meu momento, este texto mexeu muito comigo. Da interpretação nem sequer sei o que dizer. Se o João Reis era o meu actor de teatro favorito (ai o Hamlet...!), a partir de hoje, o Albano Jerónimo está no número um! E fica aqui um bocadinho do texto (e peço já desculpa porque não é fiel ao original, já que gostei tanto tanto e de tudo que não consegui decorar enquanto ele o dizia. Quando e se isto for editado, um exemplar é meu!)

«-Amaste?
-Amei.
-Quando?
-Não me lembro.
(...)
-Juntar as feromonas não é a mesma coisa que juntar os trapinhos. Oh menina, quer juntar as suas feromonas com as minhas? (...)
Quando é que te apaixonaste?
Não sei.
Cada pessoa sabe o momento em que se apaixonou.
(...)
Aquele homem que correu atrás de mim para não perder a corrida, ele tinha de ganhar.»

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Mãe, de Brecht

Sempre tive curiosidade em ver uma peça de Brecht no teatro. Não vi Tambores na Noite, não vi a leitura encenada de Baal. Vi A Mãe.
Adorei. Não só pelo texto, pela oportunidade de ver as inovações brechtianas no teatro, que são uma ruptura com toda a História anterior, mas também pela força da interpretação. E porque o teatro não nos serve apenas o gosto, mas também a cultura. E ainda pra mais falava-se da revolução russa, da época dos czares, dos inícios do século XX quando o povo começou a lutar pelos seus direitos, a fazer valer a sua palavra. Nua e crua, a realidade, as mortes, o sofrimento e, ainda acesa, a esperança. E, cada vez mais, a consciência de que precisamos de saber, de aprender, de ter conhecimentos. A ignorância é das coisas mais tristes deste mundo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Faculdade, gargalhadas e festa académica (adoro as quintas-feiras do Porto!). Podia haver melhor coisa para dar uma introdução ao fim-de-semana?
Teatro e jantar. Podia haver melhor início de fim-de-semana?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Ano do Pensamento Mágico

"Um monólogo? Isso deve ser um bocado cansativo...", disse-me a minha mãe antes de eu sair de casa.

Foi tudo menos cansativo. Foi sublime. Nunca tinha chorado a ver uma peça de teatro. Esta tocou-me. Pela história, pela maneira de a contar, pelos sentimentos envolvidos. Da interpretação...nem falo! Não há palavras para descrever aquela senhora em palco. Que força, que voz, que expressividade, que tudo.



"A vida muda num instante."
O tempo corre nas nossas veias e nas nossas vidas. Um travo de saudade e de amor. Um travo de lembrança. E o mar.
"É preciso sentir a corrente mudar. E deixarmo-nos ir nela."
Quando cheguei e contei à minha mãe, ouvi-a dizer: "Oh que pena que eu não fui."

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Já tenho bilhete!!!

O Ano do Pensamento Mágico

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Breve Sumário da História de Deus


Hoje foi dia de teatro. Voluptia e Miss Bright Side, ambas belas e enregeladas, foram ao TNSJ. Último dia de espectáculo. A sala não estava cheia, mas a qualidade de interpretação daqueles actores preencheu os espaços em branco. Cenário simples, tons de madeira clara e branco; um jogo de luzes brilhantemente arquitectado. Do texto já nem se fala. É Gil Vicente e é incontornável. Contar a história de Deus através dos tempos, desde os primórdios da criação. Adão e Eva; Lucifer e Satanás; Abel, Job, Isaías, Mateus. O Tempo, o Mundo e a Morte como forças centrais. E claro, Jesus Cristo. Sinceramente, gostei. Gostei do cenário, dos figurinos, da sonoplastia, da iluminação. Gostei de rever o Pedro Frias e o Pedro Almendra (que já tinha visto n' O Mercador de Veneza). Mais uma tarde bem passada. É sempre um prazer ir ao teatro. Este ano fui três vezes. Está a melhorar. Seria óptimo repetir a façanha em 2010.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Monólogos da Vagina

Ontem à noite fui ver esta peça. Já não ia ao teatro desde o início do ano e, curiosamente, parece que 2009 está a acabar como começou (a chuva do dia d' O Mercador de Veneza e o meu espírito pouco animado dispensam-se). As três actrizes são umas grandes senhoras. São bichos de palco. Se eu já gostava da São José Correia, então agora ainda gosto mais.
Expressão corporal fora de série, uma interpretação ainda melhor e um texto despudorado, sem preconceitos e que retrata verdadeiramente o universo feminino. Não é só uma peça para mulheres; é também para homens que querem conhecer (melhor) as mulheres e a relação que elas têm com o seu corpo.
Como pontos negativos, acho que há alguns pais que estão muito fora da graça do Senhor; não é texto nem lugar para criancinhas pequenas. Mais fora ainda está a senhora pacóvia que decidiu tirar fotos com flash a meio da peça. Mais uma vez, São José, no final, sai do palco e, em frente a toda a audiência, pede-lhe para apagar as fotografias que tirou pois, como ela disse muito bem, elas são actrizes e não bonecos. Aplauso de pé pra ela. Lá está a cultura do povinho. Tudo bem que toda a gente quer uma fotografia, mas não é permitido. Querem fotos vão à net que de certeza que há fotógrafos contratados para esse trabalho e que as expõem em sites de revistas, blogs, whatever. Já nem falo na falta de respeito que é para com as actrizes e para com o restante público.
PS: Adorei os modelitos! São José com uma criação de Dino Alves (apetecia-me despi-la e roubar-lhe o vestido!), Ana Brito e Cunha com uma dos StoryTailors (estou a ficar fã!) e Guida Maria num modelo de Nuno Baltazar muito discreto, apropriado e, acima de tudo, sensual (apesar de eu achar que fica melhor em mim do que nela. Sorry, Guida).

sábado, 16 de maio de 2009

A little bit of culture



A semana passada fui ao cinema, coisa que já não fazia há muito tempo. Desta vez experimentei ir sozinha e gostei. Há sempre quem diga que pra ir aos movies é com companhia; não me fez diferença. Fui ver "Married Lifes" (em português "Casamentos e Infidelidades") e gostei bastante. Muito sucintamente, até para não estragar as expectativas de quem pretende ver o filme, a história concentra-se em 4 personagens: Harry, Pat, Kay e Richard. Após anos de casamento com Pat, Harry apaixona-se por Kay e confessa-o ao seu amigo Richard. Como não tem coragem de acabar com o casamento e fazer sofrer a mulher, Harry planeia matá-la para poder livremente viver a sua paixão com Kay. Enquanto este se ocupa dos detalhes do homicídio, Richard encanta-se com Kay e decide conquistá-la. Num drama tenso e intenso, o filme transporta-nos para uma panóplia de relações e ligações entre as personagens, levando-nos a questionar o que é, de facto, uma "married life". É um drama que levanta questões no que concerne a fidelidade, o tempo das relações, a forma como agimos perante o outro e perante nós próprios. Escolhi-o ao acaso e foi uma agradável surpresa!





Por outro lado, ontem à noite fui ao CACE Cultural ver a peça (A)tentados, de Martin Crimp, encenação de João Melo e com a representação dos meus colegas e amigos de Faculdade, que fazem parte do grupo teatral Máscara Solta. Gostei bastante não só da interpretação de todos eles como também do texto. É efectivamente uma peça de teatro que prende o espectador. Gira à volta da vida de uma personagem que nunca está presente (à semelhança da peça de B. Brecht À espera de Godot). Como está num post no blog do grupo,


"Anne pode ser Any(one), a rapariga da porta ao lado, como sugere o título de um das cenas, pode ser vista como terrorista, artista de vanguarda, mãe, filha, artista porno ou mesmo um carro de alta performance. Ela é-nos descrita por um coro de vozes por sua vez anónimas, sem identidade que através dos sucessivos relatos da vida de Anne, contraditórios ou incoerentes, acabam por estilhaçar, como refere o tradutor, a própria identidade de Anne. Fica a ideia de que a identidade é algo que nos é imposto pelo exterior.



Este texto traz em si uma proposta e uma procura de uma renovação do discurso teatral não só pela ausência de personagens em palco ou de enredo, mas também pela diversidade de cenários e de informações díspares. Há uma ausência de certezas, um despejar de informações que se quer apelativo que nos remete ao discurso dos “media” dos dias de hoje. Há uma porta para um vazio onde só pode sobreviver o jogo teatral – “Não é só representação, é algo com mais exactidão” – (cena 5 – A câmara ama-te). E nesse vazio, cria-se um espaço de criação, de imaginação para o grupo que se propõe a fazê-lo, assim como à leitura do público."


Adorei. E eles brilharam. E eu também me lembrei de quando fazia teatro... O bichinho ainda cá está seja para ver, representar ou escrever!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mercador de Veneza & Vicky Cristina Barcelona




Fui ver o Mercador de Veneza no último dia em que esteve no TNSJ. O meu espírito não estava famoso, mas o dia não só valeu pela excelente peça de teatro como também pela companhia. A encenação de Ricardo Pais, a interpretação do Albano Jerónimo, Pedro Frias, Luís Araújo... Para tão grandioso espectáculo, a resposta do público só poderia ser uma: toda a plateia se levantou e aplaudiu sem parar durante uns 5 minutos.



Na segunda-feira fui ver com a J. o mais recente filme de Woody Allen. Não sei se gostei. Mais uma vez, o meu espírito não estava famoso, mas a verdade é que me identifiquei com alguns contornos da história. De qualquer forma, fica uma chamada de atenção para o magnífico desempenho de Penélope Cruz e Javier Bardem.