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quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Grito, Rui Nunes

 - Chora-se por alguém, chora-se, embora eu chore a olhar para mim a chorar, chora-se para que nos digam: não chores, ou para que nos oiçam, mas este choro não ouvido, este choro não visto, anónimo, só um corpo a chorar sem remédio, o choro omitido das desatenções, o choro esquecido no choro, nos seus meandros, mudez e surdez, este choro, sem lugar de choro, é a palavra última, apaga-se nela, este choro é a palavra que se apaga. (...)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Prémio Camões 2013: Mia Couto

Solidão

Aproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo 


Raíz de Orvalho e Outros Poemas

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Hoje foi noite de teatro

A propósito das comemorações do ano do Brasil em Portugal, o Teatro Nacional São João tem um ciclo delicioso de peças de teatro do Nelson Rodrigues. Sendo um nome desconhecido pelo senso comum - o que é absolutamente normal -, Nelson foi um grande cronista e jornalista brasileiro, mas principalmente dramaturgo. Tem imensas peças teatrais que causaram polémica aquando da encenação - isto nos anos 40 do século XX - e é um dos meus autores de teatro preferidos. É o Nelson: e isto quer dizer quotidiano, tragédias cariocas, faits divers, dia a dia, pessoas simples, linguagem simples (mas não simplista). Os textos são fortíssimos; o que aparentemente é uma coisinha light para entreter, transforma-se em algo maior, que atemoriza e deixa a pensar. Das quatro peças em cena, infelizmente só consegui ir ver Toda Nudez Será Castigada (já estiveram em cena Valsa nº 6, Otto Lara Resende ou Bonitinha Mas Ordinária e ainda A Mulher Sem Pecado). Gostei muito - principalmente porque já não ia ao teatro há muito tempo (espaço físico, claro, que ainda o mês passado o meu amigo Tiago estreou-se como encenador/autor e lá estivemos todos a apoiá-lo) e é sempre bom voltar ao São João, um espaço tão bonito e tão cheio. 
No geral, a peça foi boa; no entanto, estava com uma tendência de fazer do teatro do Nelson popular, de fazer das personagens caricaturas, como bem comentou o Paulo,  ou de fazer rir em cenas e circunstâncias que pouco têm de cómico - e estas características não são rodrigueanas. A cenografia é brutal, os atores são muito bons. Há coisas que podiam ter sido evitadas, outras que estiveram excelentes. Foi uma noite bem passada e em boa companhia. 

E o texto do Nelson - que eu não conhecia; só conhecia o enredo da peça - é fabuloso. Mais informações aqui.

sábado, 20 de abril de 2013


Os novos moradores cá de casa:




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Janeiro: 1º artigo publicado, revista editada, poema editado, mais um ensaio escrito, 1 convite pra lá de espetacular.

Fevereiro: 1º emprego, o lançamento da revista, preparação do próximo número, 1 ensaio para escrever.

Acho que pra já 2013 está bom.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Done!!

E pronto, agora nos próximos meses será tese e os dois colóquios. Estou a ficar pro nesta coisa de calcular páginas: 12 certinhas mesmo como eu tinha dito.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De volta à faculdade

2º ano de mestrado em que, basicamente, tenho de fazer a minha dissertação. E isto implica não haver aulas nem horários nem nada. Já se sabe que quando é assim a tendência para facilitar aumenta. E neste tipo de coisas não há cá deixar andar. Assim sendo, achei por bem inscrever-me em duas cadeiras extra, sendo que uma delas é Grego I e outra Estudos Feministas e Estudos Queer. A primeira é apenas porque tenho o bichinho destas coisas, já sei latim, faz sentido saber grego. A outra...para além de gostar, é formação extra para fazer um bom trabalho este ano. Com isto tenho uma rotina, tenho que fazer, obrigo-me a ir à faculdade, trabalho na biblioteca, no bar, numa sala (mesmo que venha a senhora tresloucada dizer que as luzes são para apagar porque não está a decorrer nenhuma aula. tá.) em vez de ficar alapada na cama até à hora de almoço e ter tempo para ver as novelas manhosas da rtp1 e as repetições das da sic. E este é o meu grande trabalho deste ano. Nos entretantos, conto ter tempo para as saídas habituais e, já que é o meu "último" ano de faculdade, é para aproveitar a sério. Traduzindo: olá, semana de receção & latada & festas académicas & twins & more & queimas & coisas igualmente boas que vierem. Com muito juizinho e tempo repartidinho, claro está. Noutros entretantos, há que continuar com a alimentação saudável (felizmente o verão não me desgraçou!!!) e meter umas corridinhas à beira-mar e uma horinha de exercícios 3 ou 4 vezes por semana. E ver pelo menos 3 filmes por semana + séries que entretanto vão começar. Ah...e esperar que corra tudo pelo melhor. 










*fingers crossed*

domingo, 9 de setembro de 2012

Na mesa de cabeceira...


Sábado à noite e eu...

de volta da poesia do João Cabral de Melo Neto.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

sábado, 7 de julho de 2012

Novidades deste pequeno reino #2


Ontem estive em Coimbra e tive um dia inteirinho espetacular e ainda trouxe comigo um boneco muita feio chamado Vitorino (ahahhahah); o Colóquio de Estudos Feministas correu muito bem, apesar do meu nervosismo; ainda deu pra passear na cidade, conversar com a A. e o R.; ainda deu para andar às voltas na cidade e, mesmo antes de ir embora, encontrar o P. que já não via há meses e já voltei de lá com um jantarito marcado cá em cima.
Como passei uma semana de cão em que, no total de 5 dias, devo ter dormido 7 ou 8 horas, mal cheguei ontem aterrei e acordei hoje às 15h. Ai que maravilha poder dormir.
Como ainda falta mais um trabalho...hoje à noite, amanhã e segunda vou ter de trabalhar. Até já, mundo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

3/5 - parte II

Título: check.
Epígrafe: check.
Esquema da introdução: check.
Primeiro parágrafo: o eterno problema de começar.

Tenho sensivelmente 9 páginas para pensar acerca de um livro de que gosto muito e de uma das minhas escritoras preferidas desde há muito tempo. Acho que vou gostar muito de fazer este trabalho...porque os livros difíceis são os mais inquietantes.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

2/5


O 2º já está!!!! Amanhã é só imprimir, ver o que se me escapou enquanto o escrevi - e há sempre coisas que escapam tipo vírgulas que ficaram de tanto apaga e (re)escreve, ses e des perdidos, palavras repetidas, so on - e começar já com o 3º! 

Deixo aqui o final do texto, que é de Roland Barthes, em Fragmentos de um Discurso Amoroso: "Dever incontestável: o dever do amor."

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Um cheirinho do que eu ando a fazer:

317
Estou no meu quarto. Deitada na minha cama. A luz está acesa. Oiço música. Penso em ti mas não é em ti. É um tu abstracto porque a tua ausência é uma lesão incurável que se imaterializa com o tempo. Por fim adormeço. Quando acordo de manhã sinto-me feliz por ter conseguido dormir.


Ana Hatherly, Tisanas

sexta-feira, 8 de junho de 2012

1 de 5...

Prontinho, um amor. Acho que foi um dos trabalhos que mais gostei de fazer durante estes 4 anos de faculdade. Estou contentinha e cansadinha e amanhã é mais um dia e se eu hoje já não coube toda dentro do meu 1.65m então amanhã eu nem sei! Uma pessoa não conta e a literatura até nos dá coisas boas. É bom pra não serem só apertos no coração e lagrimazinhas no canto do olho. Vou dormir feliz. E sabe deus há quanto tempo eu não me sinto assim. 

terça-feira, 5 de junho de 2012

Isto há-de ser sempre assim

Nesta coisa de escrever o que custa mais é sempre - mas sempre - o primeiro parágrafo. Não adianta ter um esquema todo bonitinho com tudo o que se quer expor e citar e o diabo a quatro. Ai o primeiro parágrafo que nunca mais fica direito.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tive uma aula brutal sobre Fernando Pessoa hoje. Sou uma pessoa nova. E tudo aquilo que se ensina no secundário é um oitavo de verdade - se é que há verdade(s).

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que andas a fazer?

São 4.30 da manhã e eu estou à procura dos livros de poesia onde estão inseridos os poemas que fazem da parte da Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade da Dom Quixote. Sim, porque organizar a obra por temas até pode ser um critério, mas não incluir um índice que diga donde c@r@lho eles saíram já me parece uma idiotice. 

Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso

4. Ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me censuro de o ser, porque temo que o meu ciúme fira o outro, porque me deixo submeter a uma banalidade: sofro por ser exclusivista, agressivo, louco e vulgar.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Já que tem que se trabalhar...


Com: Balzac, Carlos Drummond de Andrade, Judith Teixeira e Maria Teresa Horta.