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terça-feira, 28 de maio de 2013

Prémio Camões 2013: Mia Couto

Solidão

Aproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo 


Raíz de Orvalho e Outros Poemas

domingo, 3 de abril de 2011

Glória ou como Penélope morreu de tédio

O texto é fabuloso. E dizer que é fabuloso não chega. O texto começa a corroer qualquer um mal o Albano Jerónimo diz as primeiras palavras. Riso e choro, esperança e desejo são as dicotomias que se desenvolvem no decorrer da espera que baseia a peça. A afinidade com a Odisseia, de Homero, está extremamente bem aplicada aos dias de hoje. E tendo em conta este meu momento, este texto mexeu muito comigo. Da interpretação nem sequer sei o que dizer. Se o João Reis era o meu actor de teatro favorito (ai o Hamlet...!), a partir de hoje, o Albano Jerónimo está no número um! E fica aqui um bocadinho do texto (e peço já desculpa porque não é fiel ao original, já que gostei tanto tanto e de tudo que não consegui decorar enquanto ele o dizia. Quando e se isto for editado, um exemplar é meu!)

«-Amaste?
-Amei.
-Quando?
-Não me lembro.
(...)
-Juntar as feromonas não é a mesma coisa que juntar os trapinhos. Oh menina, quer juntar as suas feromonas com as minhas? (...)
Quando é que te apaixonaste?
Não sei.
Cada pessoa sabe o momento em que se apaixonou.
(...)
Aquele homem que correu atrás de mim para não perder a corrida, ele tinha de ganhar.»

domingo, 7 de março de 2010

Sexta-feira,5


É impressionante que nesta cidade descubro (ou dão-me a descobrir) sempre alguma coisa nova. Já não bastava o maravilhoso Urban Special no Bom Sucesso e agora há a divina Casal, nos Aliados. Ontem à noite o café foi lá. O espaço está extremamente bem decorado, bem aproveitado e, claro, dá vida a uma das artérias do Porto. Tinha tudo óptimo aspecto e o bombom que eu comi era uma delícia. O menu só tem coisinhas boas: muito sumo natural, batidos, cocktails com e sem álcool, saladas, etc. Fiquei fã, pronto.

Voltei também ao Altar, cujo ambiente era diferente; às quartas-feiras aquilo é imbatível!
E como estamos em processo de descoberta...fui ao GARE (entre a Rua 31 de Janeiro e S. Bento), um espaço bem dividido e com umas arcadas fabulosas a separar o bar da pista.


Depois de noites tão boas, é ver-nos a chegar a casa às 8 da manhã, a adormecer que nem um anjo, acordar 4 horas depois e reparar que a nossa garganta já era e que por agora, se nos fizemos ouvir, é uma grande sorte.
(Ai que pena ter de beber chazinho quentinho pra isto passar...)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Ano do Pensamento Mágico

"Um monólogo? Isso deve ser um bocado cansativo...", disse-me a minha mãe antes de eu sair de casa.

Foi tudo menos cansativo. Foi sublime. Nunca tinha chorado a ver uma peça de teatro. Esta tocou-me. Pela história, pela maneira de a contar, pelos sentimentos envolvidos. Da interpretação...nem falo! Não há palavras para descrever aquela senhora em palco. Que força, que voz, que expressividade, que tudo.



"A vida muda num instante."
O tempo corre nas nossas veias e nas nossas vidas. Um travo de saudade e de amor. Um travo de lembrança. E o mar.
"É preciso sentir a corrente mudar. E deixarmo-nos ir nela."
Quando cheguei e contei à minha mãe, ouvi-a dizer: "Oh que pena que eu não fui."

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Monólogos da Vagina

Ontem à noite fui ver esta peça. Já não ia ao teatro desde o início do ano e, curiosamente, parece que 2009 está a acabar como começou (a chuva do dia d' O Mercador de Veneza e o meu espírito pouco animado dispensam-se). As três actrizes são umas grandes senhoras. São bichos de palco. Se eu já gostava da São José Correia, então agora ainda gosto mais.
Expressão corporal fora de série, uma interpretação ainda melhor e um texto despudorado, sem preconceitos e que retrata verdadeiramente o universo feminino. Não é só uma peça para mulheres; é também para homens que querem conhecer (melhor) as mulheres e a relação que elas têm com o seu corpo.
Como pontos negativos, acho que há alguns pais que estão muito fora da graça do Senhor; não é texto nem lugar para criancinhas pequenas. Mais fora ainda está a senhora pacóvia que decidiu tirar fotos com flash a meio da peça. Mais uma vez, São José, no final, sai do palco e, em frente a toda a audiência, pede-lhe para apagar as fotografias que tirou pois, como ela disse muito bem, elas são actrizes e não bonecos. Aplauso de pé pra ela. Lá está a cultura do povinho. Tudo bem que toda a gente quer uma fotografia, mas não é permitido. Querem fotos vão à net que de certeza que há fotógrafos contratados para esse trabalho e que as expõem em sites de revistas, blogs, whatever. Já nem falo na falta de respeito que é para com as actrizes e para com o restante público.
PS: Adorei os modelitos! São José com uma criação de Dino Alves (apetecia-me despi-la e roubar-lhe o vestido!), Ana Brito e Cunha com uma dos StoryTailors (estou a ficar fã!) e Guida Maria num modelo de Nuno Baltazar muito discreto, apropriado e, acima de tudo, sensual (apesar de eu achar que fica melhor em mim do que nela. Sorry, Guida).

domingo, 23 de agosto de 2009

Falou bem sim senhora!

Someone said: Eu preciso de amor pra viver.
Mary Anne: Olha, eu preciso é de oxigénio.


É por estas e por outras que eu cada vez mais gosto desta miúda! Modéstia à parte, está parecida comigo! Eh eh eh! Elas são novinhas, mas às vezes acertam...!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Voluptia, a manager

Queridos e queridas que visitam este cantinho na blogosfera plantado, a minha amiga E. pediu-me para vos dizer que se quiserem adquirir estas peças giríssimas é só entrarem em contacto para o email sine-tempore@hotmail.com e saberão todos os pormenores. Parece que ela não tem só jeito pras Ciências; deu-lhe pra arte também!




segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma agradável surpresa

Fica aqui um beijinho para o P. e a A. que foram pais da Beatriz! Eu nem sequer sabia que ele ia ser pai e recebi uma mensagem com a novidade! Um beijinho para a mais nova 'dragona' que se apressou para vir festejar o tetra!

sábado, 16 de maio de 2009

A little bit of culture



A semana passada fui ao cinema, coisa que já não fazia há muito tempo. Desta vez experimentei ir sozinha e gostei. Há sempre quem diga que pra ir aos movies é com companhia; não me fez diferença. Fui ver "Married Lifes" (em português "Casamentos e Infidelidades") e gostei bastante. Muito sucintamente, até para não estragar as expectativas de quem pretende ver o filme, a história concentra-se em 4 personagens: Harry, Pat, Kay e Richard. Após anos de casamento com Pat, Harry apaixona-se por Kay e confessa-o ao seu amigo Richard. Como não tem coragem de acabar com o casamento e fazer sofrer a mulher, Harry planeia matá-la para poder livremente viver a sua paixão com Kay. Enquanto este se ocupa dos detalhes do homicídio, Richard encanta-se com Kay e decide conquistá-la. Num drama tenso e intenso, o filme transporta-nos para uma panóplia de relações e ligações entre as personagens, levando-nos a questionar o que é, de facto, uma "married life". É um drama que levanta questões no que concerne a fidelidade, o tempo das relações, a forma como agimos perante o outro e perante nós próprios. Escolhi-o ao acaso e foi uma agradável surpresa!





Por outro lado, ontem à noite fui ao CACE Cultural ver a peça (A)tentados, de Martin Crimp, encenação de João Melo e com a representação dos meus colegas e amigos de Faculdade, que fazem parte do grupo teatral Máscara Solta. Gostei bastante não só da interpretação de todos eles como também do texto. É efectivamente uma peça de teatro que prende o espectador. Gira à volta da vida de uma personagem que nunca está presente (à semelhança da peça de B. Brecht À espera de Godot). Como está num post no blog do grupo,


"Anne pode ser Any(one), a rapariga da porta ao lado, como sugere o título de um das cenas, pode ser vista como terrorista, artista de vanguarda, mãe, filha, artista porno ou mesmo um carro de alta performance. Ela é-nos descrita por um coro de vozes por sua vez anónimas, sem identidade que através dos sucessivos relatos da vida de Anne, contraditórios ou incoerentes, acabam por estilhaçar, como refere o tradutor, a própria identidade de Anne. Fica a ideia de que a identidade é algo que nos é imposto pelo exterior.



Este texto traz em si uma proposta e uma procura de uma renovação do discurso teatral não só pela ausência de personagens em palco ou de enredo, mas também pela diversidade de cenários e de informações díspares. Há uma ausência de certezas, um despejar de informações que se quer apelativo que nos remete ao discurso dos “media” dos dias de hoje. Há uma porta para um vazio onde só pode sobreviver o jogo teatral – “Não é só representação, é algo com mais exactidão” – (cena 5 – A câmara ama-te). E nesse vazio, cria-se um espaço de criação, de imaginação para o grupo que se propõe a fazê-lo, assim como à leitura do público."


Adorei. E eles brilharam. E eu também me lembrei de quando fazia teatro... O bichinho ainda cá está seja para ver, representar ou escrever!

domingo, 22 de março de 2009

Ai a Primavera...

"Oh boa, és um bilhete de primeira classe pro pecado!"
[Anda tudo com as hormonas aos saltos!]