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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A certeza do nunca mais

Não gosto de deitar coisas fora. Tenho milhares de coisas armazenadas em caixas, cadernos cheios que guardo em gavetas e que me ocupam espaço, coisas pequeninas que trouxe de viagens, pacotes de açúcar e post it pregados no quadro de cortiça. Tenho uma dificuldade imensa com mudanças, um medo terrível de arranjar de novo as coisas, de as mover e as fazer caber em sítios que a minha vontade não fez para elas, em voltar a acomodá-las. Nos últimos meses tenho acomodado muita coisa ao mesmo tempo que surgiram notícias de coisas que vão mudar. Não é demais, eu sei que aguento. Dentro de tudo isto está "a certeza do nunca mais" que se define por eu pensar nele, olhar para as fotografias dele, para aquela bolinha verde no topo do chat, sempre em primeiro lugar, porque eu não tive coragem de eliminar nem restringir nem nada que o valha, remexer no telemóvel sem carregar no nome para ler mensagens, e saber que é uma pessoa do nunca mais: que nunca mais vou voltar a ver mesmo que vivamos na mesma área, que nunca mais me vai procurar e que eu nunca mais vou procurar. Volta e meia ainda me passam pela cabeça duas ou três esperanças teimosas que eu aniquilo instantaneamente ao dizer em voz alta "esquece isso. nunca mais". E assim o nunca mais instalou-se em mim e faz-me bloquear a vontade de me lembrar das coisas boas. É terrível ter uma história intacta, que, por ela só, não se quebrou, que só traz à memória momentos felizes...que nunca mais. 

Talvez daqui a uns meses, quando já nada me doer e esta cicatriz estiver disfarçada na pele, eu mude a forma de pensar e o nunca mais se transforme noutra coisa qualquer. Agora - e porque não gosto de deitar as coisas fora - vou só continuar as minhas mudanças, arrumações e a deslocação desta história intacta e sem rachadelas para o spam e esperar que não haja nenhum clique inesperado para me fazer abri-la. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

julho


Julho é o meu mês e estava ansiosa que ele chegasse. Com julho chega o verão em força e chega o fim de um ciclo e o início de outro. Julho é um mês um bocadinho mais meu porque é o mês que me faz mais feliz até agora. O quanto eu esperei este julho, dia 1, o segundo semestre do ano, uma nova possibilidade de recomeço, de mudança, de coisas boas. Estes seis meses foram um terror, já aqui fui escrevendo sobre eles. Continuo a dizer que não sei como raios me seguro em pé, como continuo a rir e a sorrir. Se calhar estou a ficar uma mulher crescida, se calhar.
Julho é um bocadinho mais meu porque traz de volta quem teve que ir para longe; traz dias longos de praia com a família, com os amigos, só com os primos, só com as amigas. Julho traz  mariscadas, finos, caracóis, bolas de berlim, óculos de sol e calções, vestidos curtos e o bronzeado. 

Julho é um bocadinho mais meu pelas velas que vou soprar daqui a dezasseis dias; é um bocadinho mais meu pelo que me faz pensar e repensar e sentir. E pela esperança de dias melhores que eu não sei como mas ainda acredito que virão. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Das palavras

Isto anda parado. Ando sem paciência para palavras, a verdade é essa. Quando eu digo que realmente não sei como raio ainda estou de pé, é a mais pura das verdades. O que aconteceu foi só a pior experiência que alguma vez tive com um ser humano (se é que a expressão se pode aplicar...) e há dias em que me custa acreditar que haja gente capaz de ser tão reles. Dizia o poeta que "já gastámos as palavras", mas o que eu sei é que as pessoas abusam das palavras, do significado e do impacto que elas podem ter. O que aconteceu podia ter sido coisa para me arrastar para uma cama durante dias, para me deixar infeliz, para me roubar o pouco que eu ainda vou acreditando nas pessoas. Serviu para isso tudo, para eu perceber que afinal ainda sei chorar como uma criança pequena. Serviu para me incutir uma dose extra de medo de me dar aos outros, serviu para me abrir os olhos. Serviu para ter colo dos amigos - dos poucos que souberam - e para me mostrar que cresci e que afinal sei lidar com coisas. Não vou mentir: tenho um pedaço de coração arrancado e há coisas que já não posso mais ser e não consigo nem posso mais acreditar. Mas tenho um sorriso que não sabia que tinha pra me levantar todos os dias, para deitar a cabeça na almofada e dormir de consciência tranquila, de estar em paz. Tenho um pedaço de coração a menos e uma ferida feia ainda por cicatrizar, mas tenho a certeza que sei cuidar de mim. E tudo vai ficar bem.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dos sonhos

Odeio sonhar com o *****, principalmente depois de o ter encontrado completamente por acaso e ter ficado com as pernas bambas do susto, do choque, do que quer que seja. É facto que foi difícil tirá-lo da cabeça nos dias seguintes, passei horas inquieta - e estando de férias ainda pior porque sobra tempo para ter a cabeça desocupada. Lá passou mas...volta e meia lá me aparece aquele sorrisão na memória. Eu sei, eu sei, já repeti 500 mil vezes que não, não e não e eu sei que não vou fazer nada e nem sequer dirigir-lhe um 'olá', mas caraças afinal sinto falta dele. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ultimamente ando a raciocinar com base em letras de músicas. Não umas quaisquer, obviamente, mas músicas que me lembram de coisas e de pessoas como se tivessem lá definições, coisas guardadas. Tenho pensado muito - já deu pra ver que eu penso demasiado na vida - mas de maneira diferente. Se há um mês me dissessem que ia estar neste ponto agora, eu não tinha acreditado. Não é que tenha mudado muita coisa. Eu é que me apercebi de como mudaram as coisas. Não é mau, aliás, não é nada mau. Sinto-me desprendida, sem receio de magoar X ao fazer alguma coisa. Sinto-me endurecida de tantas semanas de vulnerabilidade. 
Tenho pensado muito numa metáfora em concreto, de cacos espalhados. Meia dúzia de palavras quebraram o encantamento e espalharam-se os vidrinhos, mil vidrinhos estraçalhados. Como não gosto de deitar fora, varri tudo - o que sobrou... - e arrumei num canto sem mexer e sem a preocupação de colar, de reconstruir, de dar uma forma ao conjunto de cacos desencantados que sobrou. E foi isso que me trouxe essa sensação agridoce de desprendimento, como se fosse uma vida nova a começar - de tantas que já recomecei este ano. 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Das coisas boas de janeiro: nada

Janeiro foi o pior mês que me lembro de passar desde há anos. Não teve uma única coisa em condições, salvo a marcação de uma reunião de um projeto que começa em fevereiro. De resto, foi uma merda: começou mal nas primeiras horas do dia 1 e acabou mal nas últimas de dia 31. Nunca mais acabava: só trouxe deceções, tristeza, dúvidas, instabilidade, insegurança. E chuva e vento e frio e constipações. E pessoas que não prestam e pior do que tudo pôs-me as fragilidades a descoberto. E isso é coisa pra me assustar a sério, para me fazer pôr a milhas de toda a gente, a afastar tudo e todos e escondida no casulo até voltar a ser seguro dar-me às pessoas à minha volta, até me sentir com força suficiente para continuar. Que vá. E não volte. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

Padres, caleidoscópios e recomeçar - isto tem mesmo uma explicação


Pois que já estamos em 2014. O jantar foi muito giro, super elegante, gente bem vestida (vá, nem toda a gente, mas pronto), subi à cadeira com uma nota e champagne, comi passas e tentei pedir os mesmos desejos que escrevi na listinha que fiz no dia 31 e que repousará durante 1 ano num livro da Lídia Jorge. Estava em boa companhia, comprei uma cueca nova para não fugir à tradição e usei um vestido vermelho de morrer e uns saltos vertiginosos que me deixaram uma gaja de mais de metro e oitenta. Estava tudo a correr tão bem até me virar e, em câmara lenta se formar a frase "está ali o *****". Lindo e só a mim, encontrar o 'ex'...nas primeiras horas do ano novo. Podia ter corrido bem, mas não correu. Resumo? Os homens não gostam de ser ignorados, parece que isso lhes revolve as entranhas e os faz ter atitudes (regadas por um elevado nível de álcool no sangue que não há de ter ajudado à irritação) lamentáveis. Passou.
O resto do dia 1 foi uma maravilha: almoço e jantar de família e aniversário da avó.

Os dias seguintes vieram carregados de uma atmosfera de morte e velório e funeral e foram emocionalmente cansativos. Não costumo gostar muito de ouvir padres a falar porque regra geral não dizem nada de jeito, mas gosto imenso de ouvir o padre de Oliveira do Douro. É daqueles que fecha a Bíblia e fala com as pessoas. Fiquei ali meia hora a ouvi-lo e acho que continuava. E realmente como ele diz, somos seres provisórios, é tudo demasiado provisório, passageiro e a morte é de facto uma chamada de atenção para a vida, para o que realmente importa. E isso deixou-me a pensar, como seria de esperar, em tudo isso. E metade do que me afligia passou, não por magia, mas porque há coisas e pessoas que realmente não interessam. E quem interessa está por perto, porque a vida às vezes é madrasta, mas também dá segundas oportunidades. Basta só mudar a perspetiva do caleidoscópio e ver outras combinações de cores e outras formas e, mais do que isso, saber reconhecer quando elas surgem e agarrá-las.  

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

I'm back #4 - ou as saudades e o coração

Já foi há mais de um mês e a verdade é que hoje foi o dia pior. Não fiquei destroçada na altura, fiquei dececionada e triste com aquela atitude tão infantil e tão idiota, com o ultimato e a agressividade; fiquei enervada com o que ouvi há 15 dias, o tom descontraído como se não tivesse acontecido nada. Hoje foi um dia diferente. É verdade que os últimos dois meses têm sido vividos sempre a correr, há sempre coisas a fazer e pouco descanso e o tempo passou depressa e absorveu-me de tal forma que não tive um minuto sem nada que exigisse atenção. Só hoje é que parei para pensar, na meia hora do seca-estica-penteia o cabelo e tive saudades dele. Apesar de tudo. Depois senti-me culpada e estúpida por ter saudades, por saber que ele não merecia que eu as sentisse. Não podia admitir que ele continuasse a destratar-me, era ponto assente; mas hoje tive todas as saudades que cabem num ano de beijos e beijinhos, de xi-corações, de abraços, festinhas e colo, de risos e sorrisos. E elas doeram e fizeram-me chorar - eu que achava que se tivesse de chorar já tinha sido tempo. Vai passar, claro, mas até tive saudades de o ouvir dizer que estava cansado, de o ver transformar-se quando falava na profissão (que exige disciplina, dedicação e paciência) que o faz feliz., de reclamar por eu estar acelerada, de encostar a cabeça no meu ombro. Podia ter corrido tão bem, mas correu mal. Amanhã é um novo dia e há que levantar a cabeça.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Paradoxo

Eu juro que quero terminar - voltei àquela coisa do "o pior é começar" - mas a verdade é que me custa largar esta coisa que dá pelo nome de tese. E só falta acabar a introdução, mandar-me à conclusão, ao resumo e aos agradecimentos. Tudo o resto está prontinho. Ai que medo. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mixed twisted feelings

Isto de se estar sozinho faz com que se tenha muito tempo para pensar. E geralmente é no que não se deve. É o que me tem acontecido nas últimas semanas e não tem ajudado porque a verdade é que eu não sei de nada. Sempre tive medo de uma coisa: histórias mal resolvidas que voltassem para me atormentar. E tenho uma - pelo menos para mim. Sempre tive medo de não conseguir fechar o capítulo. E parece que às vezes lá caio na tentação de ir atrás ler, reler, ver se dá pra mudar o final. Não dá, não dá, não dá. Foi isto que eu andei a meter na cabeça 24/7. Mas foi um encaixe forçado, há sempre um espacinho de sobra e é disso que eu tenho mesmo medo. E se eu nunca mais avanço a sério? (Porque às vezes parece que não saí do sítio e só me fui distraindo. Como se quisesse uns Louboutin, mas pra já só dá pra comprar sapatos da Zara. Não é o mesmo, mas dá pro gasto. A questão aqui é que não é suposto "dar para". Tem é de ser, alterar as preferências de marcas dos sapatos. Tive azar, é certo. O que parecia uma bóia de salvação estava mais furado que um passador. Ou quase. Ou se calhar porque eu também não quis saber, não estava para aturar. Se bem que contas feitas e eu não merecia. Adiante, os sapatos, os Louboutin são para esquecer (e porquê que eu às vezes tenho a certeza convicta que há ali qualquer coisa por trás do que é suposto dizer-se, que há muito mais nas (entre)linhas?!), mas no fundo sempre foram esses que eu quis. Pelo conforto, pela estabilidade, pela confiança, porque ao vê-los de cada vez seria sempre como se fosse a primeira, porque subir no salto seria sentir-me a mais tudo, como só os Loubis sabem fazer uma gaja sentir-se.
Preciso de não pensar. Pareceu-me que estar sozinha fosse boa opção, mas lá está, sinto-me...sozinha. Acho que estou a ficar sem opções: com os sapatos da Zara não demora muito até cair, com os Louboutin...infelizmente já é mais uma memória que outra coisa. E não era suposto ser isto. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

maio

Este coiso anda parado, é certo. Aconteceu tanta coisa desde o início deste mês que eu nem sei bem como processar as coisas. No fundo maio foi e está a ser um mês de avanços e retrocessos. Ora eu sei uma coisa, ora já não sei mais nada, ora é uma coisa, ora já é outra totalmente diferente. Já não me sentia assim tão instável há muito tempo. Quer dizer, balançar as estruturas é bom, é positivo...mas não ter sítio onde meter o pé já não. E valha-me o Santo António que eu não faço ideia de onde meter o meu pé, onde me segurar. Adiante.
 Parece que em maio toda a gente se lembrou de mim e eu queria era que me deixassem sossegada, que não me metessem coisas na cabeça. Parece que maio foi o mês de fechar um ciclo com uma cartola, uma bengala e uma roseta. Parece que maio foi altura de receber um pedido de desculpas e apaziguar, mas isso também trouxe desconfiança e muros cá pra cima outra vez. Parece que maio foi altura de um encontro inesperado e de em menos de 24 horas se me mudar a perspetiva toda outra vez.
Tenho-me perguntado o que é que eu quero quase todos os dias - a bem dizer, quase todas as noites, para ser mais sincera. E o que eu quero (quis) não pode ser, por isso é que, há uns longos meses, redefini um novo querer e o tentei encaixar na vidinha de todos os dias. E consegui. A 99%. O que quer dizer que há ainda o 1% que sobra. Adiante, 99 é melhor que nada.
Parece que em maio o meu querer quase imposto começou a mudar. Esse ângulo novo que apareceu à minha vista está-me a fazer pôr tudo - que por si só não é muito - em causa. Maio está a ser um mês de pensar em mim, de resistir não sei a quê, a quem e como. Mas a resistir. (E um dos meus grandes defeitos é ser demasiado resistente. Adiante.)
E de escrever. A tese está-me a sair do lombo e custa imenso, ah se custa. Ainda para mais este primeiro capítulo que é muito cansativo - porque teórico. Mas já faltou mais. Escrevo com regularidade, não me permito deixar o texto para segundo plano, o que já é uma grande coisa.
E maio também está a ser um mês de afastamentos, cada vez mais. Talvez seja do trabalho, da tese, das coisas que todos temos para fazer, dos horários incompatíveis... Mas de afastamentos. E porque bater no ceguinho cansa - neste caso, na ceguinha. Não ando com a mínima pachorra para os .(pseudo) "arrasos" do costume. É deixá-los pensar que eu não acompanho quando, na verdade, eu já estou é noutra frequência. Não há pachorra mesmo. É preciso saber parar senão qualquer dia vai-se a ver e.. Maio, não me quero distrair.
Maio trouxe um trabalho novo e que foge àquilo que eu faço. Mas é na minha segunda área de eleição e é bom, é giro, tem a ver comigo.
Acho que é o primeiro ano que não gosto nada de maio - e sempre foi um dos meus meses preferidos. Talvez seja pelo calor que falta, pela chuva que aparece, pelos acontecimentos maus, pela instabilidade... Que junho venha é depressa que melhor que este há-de ser com certeza. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Homens #6

(é só a coisa mais doce deste mundo e eu saio do lado dele com um sorriso enorme.)

domingo, 21 de outubro de 2012

Saber que se esqueceu é... - II

...estar a organizar pastas de fotos no computador, dar de caras com as que copiei do facebook e eliminá-las. E ir à reciclagem a seguir e, sem sequer pestanejar, clicar em "eliminar todos os itens". Sem backups. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim
Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo  

domingo, 13 de maio de 2012

O tempo não ajuda, ao contrário do que toda a gente diz. Só torna mais difícil, mais insuportável. Mais doloroso, mais triste. Como se me tivessem arrancado a minha melhor parte.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Detesto esquecer-me de coisas: seja do que tenho para fazer - e é por isso que aponto tudo - seja de frases, momentos, cheiros, sons, gestos... Só que às vezes a minha memória trai-me. E traiu-me com uma voz. Eu simplesmente não me lembro de como ela é. Lembro-me de tudo o que disse, lembro-me de olhares, de cores, de coisas à volta...mas não me lembro da voz. Tenho sons distorcidos a formar uma outra e outra e depois outra...e eu excluo-as sempre porque sei - apesar de não me lembrar - que não é daquela forma. 
O que os olhos (não) vêem...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Odeio...

estar na defensiva. Mas é inevitável, necessário, estupidamente natural (neste caso em específico), como se muita coisa encaixasse mal. E mais do que odiar estar na defensiva...odeio sentir-me a mais. Sempre tive pânico disso, pavor autêntico. E estranhamente...é assim que eu me sinto. E mais: presa numa teia sem conseguir desenvencilhar-me.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

(...)
Sobre a pele que há em mim
Tu (já) não sabes nada.


Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou
Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
P’ra voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber…

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ela não tem tempo. É impossível não derramar uma lágrima de que cada vez que penso nela. E hoje já pensei nela umas 5 ou 6 vezes. Foi a primeira pessoa em quem pensei quando acordei. Ela não tem tempo. E ela de certeza que tinha tantos planos, queria ver tanta coisa, os filhos casados, os futuros netos. De certeza que queria continuar a passear com os amigos aos domingos, nas almoçaradas regadas a petiscos e boas conversas, a fazer compras e marmelada e geleia em outubro - ela mandava sempre um frasquinho pra mim e este ano já não mandou - a regar as plantas de que tanto gosta. Ela não tem tempo. Não tem. E é só isso que me ecoa na cabeça. Todas as coisas que ela ainda tencionava fazer, todas as gargalhadas que ainda ia dar, todos os momentos felizes. Maldita, maldita doença. Sempre a levar mais um, a roubar tempo, constantemente a roubar tempo, em contagem decrescente repetidamente adiada. Ela não tem tempo.