OS SILÊNCIOS
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo que não
digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei, não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo
PERGUNTA
Tão pouco te pergunto
meu amor:
Como responde o corpo
ao vazio dos lábios?
Maria Teresa Horta in Só de Amor
sábado, 22 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O senhor da Zon ou a vida a levar-me por caminhos "sui generis"
O senhor da Zon foi a casa da avó hoje. O senhor da Zon brincou com a Minnie, dizia-me "a menina isto, a menina aquilo". O Senhor da Zon, em 20 minutos, disse-nos, a mim e à avó, que esteve um ano no Brasil e que levou um tiro (Ao que ela diz horas mais tarde "deve ter sido na cabeça que ele era meio avariado"), que tem um irmão especializado em latim e grego, cujo curso foi tirado na Faculdade de Letras de Coimbra. Por esse motivo, o senhor da Zon disse-me que conheceu muito bem a vida académica em Coimbra. Ontem, na Faculdade, falava-se da Queima...de Coimbra e da abolição do colete no traje feminino e da posterior reivindicação das mulheres por lhes terem tirado o colete; e do traje com sabrinas e all star e do facto de os estudantes trajarem de propósito pra ir pra Queima (WTF?!?!?!). Voltando ao senhor da Zon, fiquei também a saber que tem um gato do tamanho da Minnie, que ouviu a música da Lady Gaga a dar no VH1 e que começou a cantar. Desculpem,mas nunca tive um senhor da Zon que instala a net a cantar Papparazzi.
Horas mais tarde...
Mãe chega a casa da avó. Avó imita senhor da Zon. Voluptia imita avó. Avó, em género de pay back, imita-me. Anda tudo numa onda de imitações nesta casa!
Voltando ao item a minha vida é um lixo...
Ontem adormeci, hoje adormeci de tarde e não estudei. Há teste amanhã. hey, hey. hey.
Contudo, antes de adormecer (ontem!), passeava eu pelo Sigarra a ver os mestrados e planos de estudos quando, de repente, CADÊ O MESTRADO EM LITERATURA BRASILEIRA? POR QUE RAIO HÁ SÓ EM LITERATURA PORTUGUESA? CADÊ O MESTRADO EM ESTUDOS FEMINISTAS?
Não há, o mestrado que eu quero esfumou-se. E agora adivinhem onde há o mestrado que eu quero (Oh sorte...) e onde também está a minha segunda hipótese de mestrado. Um doce (de maracujá ensinado pela Nigella...nhamyy) a quem descobrir.
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
A moda das relações instantâneas
É certo que cada um faz o que quer com a sua vidinha, com os relacionamentos que tem, com as decisões que toma. Mas nisto das relações há uma coisa que não me entra na cabeça: relações instantâneas. "Ai conhecemo-nos há dois dias e temos uma relação, ai que é tudo tão intenso"...errr...pois, desculpem-me mas esses esquemas não me convencem nem uma bocadinho. E também não me convencem exibicionismos baratos, como se estivessem a esfregar na cara das pessoas o "Olha pra nós!! Temos uma relação, não é meu cajuzinho, minha coisinha-mai-boa, meu ursinho de pelúcia, minha bolachinha Maria de chocolate?". Também não acho piada absolutamente nenhuma a exageros: ok, as pessoas estão "apaixonadas" e riem-se que nem hienas histéricas; quase as estou a ver a elogiar a pessoa amada, a exaltar qualidades "porque ele/a é que é! Temos a relação perfeita e ele/a chama-me Bela Adormecida/Prince Charming e "morzinho" (vómito) e andamos sempre na rua de mãos dadas, não nos largamos nem pra ir à casa-de-banho" (e penso eu "Pois, e empatam o trânsito, que uma pessoa quer passar e tem de levar com vocês ali a fazer barreira, a andar devagar e a comentar a beleza do dia de chuva que vos está a molhar todos, mas "ai que o amor é lindo e vamos levar com água na tromba e chegar ao destino encharcados porque namorar à chuva é romântico").
Estas relações, pra mim, são como os bolos instantâneos: comem-se, mas não sabem ao mesmo.
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Obrigada, S. Pedro,
pelo solzinho que mandaste. Hoje já deu pra um sapatinho de cunha mais fresquinho (e alto!!), pra uma t-shirtzinha, pra uns óculos de sol, para conversas ao ar livre.
Fico sempre bem disposta em dias de sol. Adormeci de cansaço no sofá do *Paraíso* embalada por versos de Sophia, Cesariny, Carlos de Oliveira e Eugénio de Andrade. Vi fotos, imensas fotos, e recordei momentos maravilhosos. Nem dei pelo tempo passar e já são quase 20h. Não tarda vou comer a saladinha de atum (em água, que é mais saudável), ler um bocadinho, rir-me com os amigos, deitar-me, soltar as amarras do senhor coração e deixá-lo livre enquanto durmo, para ele pensar e sentir o que quiser; se quiser parar de fazer pressão e de me deixar um peso no peito eu agradeço. Amanhã é um novo dia de sol e eu com toda a certeza estarei tão bem disposta quanto hoje!
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Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

Olá, eu sou a Voluptia e tinha o vício de roer as unhas. (Agora digam: Olá, Voluptia e quase parece que estamos num grupo de ajuda a viciados) Consegui superá-lo a muito custo e força de vontade; esqueçam lá os vernizes amargos e o piri-piri que não é isso que faz com que se deixe. Agora gosto muito de comprar vernizes e de ir à minha querida F. arranjar estas meninas que, espantem-se, depois de anos a serem estragadas, e ao contrário do que muita gente diz, crescem sempre fortes, saudáveis e raramente partem. Contudo, quando partem...partem, ou seja, é sempre a meio, o que me obriga a pô-las todas do mesmo tamanho. Assim sendo, esperei 3 longas semanas e mais alguns dias para que estivessem finalmente prontas a pintar. Até a G. notou que algo me faltava mal apareci na faculdade com as mãos deslavadas e tristíssima. Agora estão vermelhas, giríssimas e eu gosto.
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domingo, 16 de maio de 2010
Noites sem sono
O Papa veio ao Porto e, por esse motivo, o meu fim-de-semana começou na terça-feira à noite. Até aí tudo bem. Quarta-feira: dormir (que bem estava a precisar), adiantar trabalho (o costume), Casal (obrigada A., J., Ferdinand e Miss bright side por terem comido aquele bolo de chocolate divinal à minha frente), Piolho e Altar. Até aí tudo óptimo.
Quinta-feira...mais tosse que a habitual. Estranho, mas pronto.
Sexta-feira: Voluptia morreu pro mundo. Sim, estou fechada em casa desde quinta-feira à noite, a tosse não pára (então de noite é o fim do mundo...), tonturas não me faltam, falta de apetite também tenho. Para ajudar disse-me a minha avozinha que estava "pálida, mesmo com ar de doente. Já viste como estão os teus olhos? Deixa cá ver se tens febre. Ah, que estranho! Não tens! Vai ver como tens os olhos!". Não, não tinha febre. Antes tivesse que era sinal que não andava movida a Nimed e chá e isto passava depressa.
O sono foi-se, mas pelo menos há uma tranquilidade em mim que já há muito tempo não sentia. Só me apetece ouvir Alicia Keys, ver Anatomia de Grey e dormir. Era bom, não era? Mas...não! Já li 10, sim 10, revistas Vértice, mais o Luandino com os amores do outro, e ainda o cancioneiro de Vinicius de Moraes e Tom Jobim e adorei ouvir de novo as músicas do Orfeu da Conceição. Ainda planifiquei um trabalho que, como já é hábito, vai dar ao sexo. Desta vez é mais à falta dele, já que se trata da virgindade do cavaleiro na Demanda do Santo Graal e no físico da obra O Físico Prodigioso, de Jorge de Sena. Até o trabalho da S. sobre os monstros na Eneida me parece melhor que fazer isto, mas lá terá de ser. Estava a desesperar por falta de ideias pra isto; menos um problema por resolver...
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Sextas à noite, neste blog, são noites de poesia #1
Flashback
Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas da trepadeira do quintal.
Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.
Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma: mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência dói.
Nuno Júdice (in Pedro lembrando Inês)
Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
ainda nu, ou vestido da luz que entra pelas
persianas velhas, trazendo a tremura
das folhas da trepadeira do quintal.
Podia ser de manhã, ou de madrugada,
sabendo que teria de te abraçar para que não
desses pelo frio, com o quarto ainda
húmido da noite, num fim de outono.
Podia não ter sido nunca, se não fossem
assim as coisas: a tua mão ao encontro da
minha, no tampo da mesa, como se fosse
aí que tudo se jogasse, entre duas mãos.
Ausência
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma: mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência dói.
Nuno Júdice (in Pedro lembrando Inês)
terça-feira, 11 de maio de 2010
Leituras
Agora que findou a Semana da Queima, que festa, amigos e riso foram as palavras de ordem, agora que o negro acalmou, é altura de me (re)concentrar na Faculdade. Pois, e para quem lê este cantinho, já sabe que inevitavelmente vamos parar aos livros. E então, para esta semana, para além das peças de teatro de Plínio Marcos e Hilda Hilst, temos a Demanda do Santo Graal, o famoso romance arturiano, temos ainda João Vêncio: os seus amores, de Luandino Vieira e ainda, a título de deleite pessoal, Os Clandestinos, de Fernando Namora, ao qual pertence a passagem seguinte (p.17):
"...«Beija-me, querido», e enquanto o beijava e era beijada, enquanto lhe estorvava os resmungos e as perguntas com a boca ávida, que era uma espécie de mordaça aplicada sobre a sua, ia-se despindo, pondo em cada gesto a urgência e o frenesi de uma devastação. «Beija-me, querido, beija-me», já descalça, já nua, mas ainda a ondear pelo quarto, a excitar-se e a excitá-lo, remirando-se ao espelho..."
domingo, 9 de maio de 2010
Temperatura ambiente
Somos bombardeados por palavras todos os dias até chegar aquele em que a arma está apontada à nossa cabeça (coração) e a bala de quem dispara é fria, indiferente, escolhida a dedo para perfurar e causar dano. São traços, combinações de sílabas, palavras, frases...Não me adianta recorrer à Fonologia que não vai dar em nada. Depois de disparadas, deixam-nos anestesiados, em estado de choque. Não se sente rigorosamente nada; a dor da ferida é maior que tudo. Até que, um dia, o gelo que nos isolava do resto do mundo começa a derreter. Reagimos à temperatura ambiente, onde as palavras não magoam num tiro, mas continuamente, com o sangue que não pára de correr.
Hoje sim estou à temperatura ambiente.
sábado, 8 de maio de 2010
Da insensibilidade
Estou insensível. É impressionante que isto aconteça logo comigo. Nada me importa: o que se pensa ou deixa de pensar, o que se faz, o que se quer fazer, o que não se fez. Nem sente que sente, nem sente que não sente. Nada de nada. Preocupante: nem sequer uma lágrima, nem sequer 5 minutos a pensar. Nada. Quase podia parafrasear o Zé Tolo e dizer "Sabes o que é nada desta bidah? É nada desta bidah".
Se calhar é por ser a Semana da Queima e o dia se resumir a dormir-Queima-casa-dormir-sair-autocarro mágico-Queima-casa-dormir, mas a verdade é que não sinto nada.
Talvez eu esteja a cumprir a promessa que fiz em Setembro de 2008 ou se calhar é só cansaço ou experiência de vida que se começa a acumular. Ou se calhar ínevitavelmente não é nada e eu enganei-me durante uns 2 ou 3 meses a pensar que sente que sente....e vai na volta e não sentia era nada.
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
Correr contra...o tempo
Esta semana o tempo passou simultaneamente rápida e lentamente. Os dias começaram cedíssimo e acabaram tardíssimo. Sempre numa correria, por entre risos, lágrimas, capas, amigos, coragem para decisões que encerraram a sexta-feira. Ontem o dia foi estranho, como a maioria dos meus dias. Estacionei o carro na faculdade às 7.30h e saí às 21.50h. Lembro-me mais do tempo a partir das 3 da tarde, em que ia sair disparada para ir ter com a T. que chorava ao telefone. Eu não sabia se chorava ou ria, mas acabou por ganhar o primeiro. Quando me vinha embora passaram tantas músicas na rádio e, por mais esforço que faça, não me lembro agora de nenhuma. Lembro-me apenas das luzes dos candeeiros acesas, do conta-quilómetros a marcar os 120, de ouvir a melodia e de ter os pensamentos a rodopiar, o coração descansado. Lembro-me de vir a juntar palavras, a escolhê-las a dedo para transmitir exactamente o que queria. E de acordar hoje e ver que a única resposta que tinha era o silêncio. Lembro-me de serem 4 da manhã, de ter acordado com dores de garganta porque a voz não falhou e de ter respondido à Miss Bright Side, de ter lido o que o T. me disse e de ter desatado a chorar feita Madalena e de pensar que gostaria de ter sempre comigo num papel aquelas palavras, mesmo que já estejam bem guardadas comigo. Lembro-me de voltar a adormecer com os pensamentos a jogar pingue-pongue com duas bolas diferentes e de acabar por adormecer. Lembro-me de acordar 3 horas depois, 4 horas depois, 5 horas depois e de já não conseguir dormir mais apesar de todo o cansaço que me está nos ombros, nas mãos, no cérebro e no coração.
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quarta-feira, 28 de abril de 2010
"Consegues fechar o vento na tua mão?"
O meu dia foi estranho, muito estranho. Estranhamente, a palavra que mais tenho usado ao longo destes quase 5 meses de 2010 é "estranho". É tudo estranho. Eu sou uma quase-estranha sem horários e sem tempo para dormir. Tenho 1001 planos e rabiscos na mente, a maioria impossível. O meu pensamento ordena-se meticulosamente porque tenho de trabalhar, ou ler, ou organizar as escassas horas para encaixar sempre mais do que aquilo que posso fazer. Agora vou passear a Minnie todos os dias para ter 20 minutos só comigo, já que nem acordada me consigo manter. Agora saio mais de carro porque uma das melhores sensações é ouvir rádio e conduzir e estou sozinha e já posso ouvir tudo aquilo que tenho para me dizer.
Estou cansada. Dou por mim a pensar quantas horas dormirei, quantas conseguirei manter-me desperta, se não consigo fazer as coisas de maneira a dormir seguido ou a ir para a cama 2 ou 3 horas mais cedo. Mas não, vai tudo continuar...assim.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Do tempo
Confesso: nestes últimos dois meses, a noção de tempo tem-me feito muita confusão. Todos os dias me faz confusão. Porque o meu tempo é contado. É acordar com os passarinhos depois de, por vezes, adormecer e acordar para me deitar duas horas depois porque sim e é...assim. Faculdade durante 10/12 horas, almoço engolido à pressa em 10 minutos, algumas vezes numa hora porque há conversa e riso pelo meio, 20 minutos de trânsito na Ponte da Arrábida, jantar em 30 minutos, duas horas para ler o artigo, o livro, as fotocópias, passar aulas. Mais 20 minutos de banho que eu sou filha de Deus e Ele perdoa-me pela água que eu gasto, mas de facto os meus ombros e a minha nuca estão carregados de tensão que precisa de ser aliviada. Já que nunca mais fui ao Pedro-massagista-do-ginásio (outra história para contar!), que não há um McDreamy à mão de semear pra me tratar da saúde (Ups, fica tudo na Medicina!), isto tem mesmo de ser com água quente e cremezinho.
Mais 30 minutos pra cabelo, cremes, vestir. Meter-me na cama e saber que vou ficar acordada 5 minutos, que vou adormecer e acordar porque o sono é inquieto e o tempo para ele já é escasso. E 2 horas de aulas, 5 minutos para lanchar às terças e quintas; 2horas à sexta até a minha mãe chegar para me ir buscar e aproveitá-las para passar coisas a limpo ou meter-me na biblioteca ou ler ou sublinhar ou...!
O fim-de-semana com as suas...60 horas, vá. Sexta-feira dormir 12 horas e acordar sábado às 14h. Sair no sábado à noite e chegar a casa às 7.30 da manhã com dores nos pés porque tenho tido a brilhante ideia de me mandar para os paralelos do Porto ou com sapato de cunha ou então, como obrigou o vestidinho do último fim-de-semana, a uns peep-toes verdes de 12cm.
Dormir no domingo de manhã, consumir séries alarvemente ao domingo à tarde.
E, mesmo assim, com tanto livro (alguns deles com tanto pó que são dignos de provocar alergia a quem não a tem!) arranjo sempre tempo para o resto, para a conversa e o riso com os amigos, para uma saída a meio da semana mesmo que ande o resto dela a morrer de cansaço, para um fino na casa Agrícola para debitar (des)conhecimento sobre o mundo masculino com a Carol, para umas compras com a A. e a Miss Bright Side, para as 3 ou 4 chamadas que a J. me faz diariamente (mais coisa menos coisa), para dois dedos de conversa com a T., para uma conferência com o Mundo, para ir ao teatro (Antígona, brevemente tecerei as considerações a nível do gosto) ou sentar-me na relva da faculdade a rir (e a trabalhar, ora essa), pra me meter em projectos que vão durar até para o ano.
E sim, no meio disto tudo, ainda arranjo tempo para ti.
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sábado, 17 de abril de 2010
"Muita conversa dá em paixão", já dizia o A.
A J. há dias perguntou-me: E se eu me apaixono?
E eu disse: apaixonas-te, corre bem por uns tempos, começa a correr mal, começam-se a afastar, depois ele diz que quer falar contigo porque tem de ser verdadeiro e espeta com um Não és tu, sou eu! na tua cara, mais umas quantas lágrimas de crocodilo porque entretanto já tem outra na mira. Choras que te fod**, dizes mal dos homens uns 2 ou 3 meses, dizes às tuas amigas que estás bem assim e que não queres ninguém, depois aparece outro e volta tudo ao mesmo.
Eu não queria pensar assim. I used to believe. Now I don't. E chegar aos 20 anos e achar isto é, no mínimo, estranho -o que nos poderia levar à velha frase A minha vida é um lixo.
Dizia-me a M. ontem, às tantas da madrugada, ela com os olhos brilhantes, eu com a sobrancelha levantada, que no dia em que sentisse que se estava a apaixonar saltava fora, que não dava, que tem consciência de tudo e que não vai ficar mal, que não vai chorar.
E eu...quanto a mim nem sequer sabia o que dizer.
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
Have a nice week
A sério, ainda só são 8 da manhã e eu devo estar completamente mal e ainda não descobri para ter acordado antes do despertador, para me dar ao trabalho de ligar o portátil e vir aqui. Mas é que hoje acordei por mim própria com raios de sol a bater-me na cara e o mundo cheio de sonhos (sem girar). E vou para aqui, para esta cidade que tem pedras cravejadas de passos e memórias e onde estou sempre em casa.
E agora vamos lá levantar o rabo da cama, arrumar isto (sim, porque ninguém me apanha a sair de casa com a cama por fazer!) e escolher o que vestir. Avizinha-se um sarilho e uma meia-hora deitada ao lixo.
sábado, 10 de abril de 2010
Quando o mundo gira
Há os dias em que acordamos com a luz acesa, o chão coberto de papéis, janelas de msn a piscar e amigas que nos dizem "Tu adormeceste, não adormeceste?", revistas ao lado da cama, capas e livros em cima da cama, o portátil em cima da cama, nós próprios na cama e o mundo a girar na nossa cabeça. O meu girou às 8.43h quando acordei com dores nas costas e rosnei um "vou voltar a dormir" porque o cansaço da semana era mais que muito e o tempo engoliu-me as forças e o pensamento. Mais uma volta, mais uma decisão. Deixa pra lá, penso nisso quando acordar que hoje é sábado e o meu cérebro não tem coerência para pensar em condições. Eram 14.42h quando finalmente o meu corpo achou que já chegava de descanso e os olhos se abriram. Acordei a pensar que às 8.43h o meu mundo girou e que só 10 minutos depois adormeci porque estava a pensar em possibilidades, em hipóteses sem chegar a lado nenhum. E em segundos passei pra outro pensamento: alimentar-me e dedicar-me a aulas. E de facto, durante umas duas horas estive a fazer isso ininterruptamente quando, de repente, o mundo começa a girar e dou por mim a pensar no que não queria, em quem não queria. E, ao aperceber-me disso, a recriminar-me terrivelmente por assim ser. You shouldn't feel that way. It's crazy! E depois liguei-me à Internet, vi no Facebook que o M. se tornou fã do grupo "Life is better when you decide you don't care" e em microssegundos decidi que I don't care, que está sol e eu não devia estar a pensar nessas coisas que fazem com que o mundo gire e que, afinal de contas, o melhor é decidir que I don't care porque se eu passar para o I care, o mundo não vai só girar, mas sim rodopiar, eu vou ficar demasiado tonta e desmaiar.
E cada vez mais me convenço que é por metáforas que gosto de falar.
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Acabou-se o que era doce
Anatomia de Grey só no fim-de-semana agora. As outras séries idem. Sim, porque isto de se ser de Estudos Portugueses e Lusófonos tem que se lhe diga: 5 cadeiras (uma delas desdobrada, o que perfaz um total de 6), bibliografia que nunca mais acaba, trabalho que nunca mais acaba. E não é só ler as obras. É ler bibliografia sobre elas. E saber pelo menos onde está o quê. Para já não me posso queixar que tenho tudo em dia, o tempo aperta sempre, claro. Há dias em que nem pra pintar as unhas arranjo 20 minutos.
Acabaram-se as noitadas a meio da semana. É pena, mas é necessário. Eu queria muito ir à festa de anos 80 na faculdade, mas como já estou meia morta é melhor não. Sim, porque eu dormi duas horas, fui pra lá, tive uma manhã atribulada, um dia cheio de aulas, um trânsito parvo das 7.30 da tarde, uma dor de ombros terrível; ainda adormeci depois do jantar (contabiliza-se, portanto, um total de 5 horas de sono). Acordei e pensei "vamos lá passar as aulinhas e organizar as coisas". Et voilà, tudo prontinho.
Amanhã é dia de compras com as meninas, de uma sessão de má língua e de partilha de experiências. E depois um resto de dia preenchido com Colóquio Letras, chá, boa conversa, um "boa noite, beijinho" que é uma coisa tão simples mas que me vai fazer ir dormir com um sorriso.
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