domingo, 9 de maio de 2010

Temperatura ambiente

Somos bombardeados por palavras todos os dias até chegar aquele em que a arma está apontada à nossa cabeça (coração) e a bala de quem dispara é fria, indiferente, escolhida a dedo para perfurar e causar dano. São traços, combinações de sílabas, palavras, frases...Não me adianta recorrer à Fonologia que não vai dar em nada. Depois de disparadas, deixam-nos anestesiados, em estado de choque. Não se sente rigorosamente nada; a dor da ferida é maior que tudo. Até que, um dia, o gelo que nos isolava do resto do mundo começa a derreter. Reagimos à temperatura ambiente, onde as palavras não magoam num tiro, mas continuamente, com o sangue que não pára de correr.
Hoje sim estou à temperatura ambiente.

sábado, 8 de maio de 2010

Da insensibilidade

Estou insensível. É impressionante que isto aconteça logo comigo. Nada me importa: o que se pensa ou deixa de pensar, o que se faz, o que se quer fazer, o que não se fez. Nem sente que sente, nem sente que não sente. Nada de nada. Preocupante: nem sequer uma lágrima, nem sequer 5 minutos a pensar. Nada. Quase podia parafrasear o Zé Tolo e dizer "Sabes o que é nada desta bidah? É nada desta bidah".
Se calhar é por ser a Semana da Queima e o dia se resumir a dormir-Queima-casa-dormir-sair-autocarro mágico-Queima-casa-dormir, mas a verdade é que não sinto nada.
Talvez eu esteja a cumprir a promessa que fiz em Setembro de 2008 ou se calhar é só cansaço ou experiência de vida que se começa a acumular. Ou se calhar ínevitavelmente não é nada e eu enganei-me durante uns 2 ou 3 meses a pensar que sente que sente....e vai na volta e não sentia era nada.

domingo, 2 de maio de 2010

Monumental

Hoje. Tudo.

sábado, 1 de maio de 2010

Correr contra...o tempo

Esta semana o tempo passou simultaneamente rápida e lentamente. Os dias começaram cedíssimo e acabaram tardíssimo. Sempre numa correria, por entre risos, lágrimas, capas, amigos, coragem para decisões que encerraram a sexta-feira. Ontem o dia foi estranho, como a maioria dos meus dias. Estacionei o carro na faculdade às 7.30h e saí às 21.50h. Lembro-me mais do tempo a partir das 3 da tarde, em que ia sair disparada para ir ter com a T. que chorava ao telefone. Eu não sabia se chorava ou ria, mas acabou por ganhar o primeiro. Quando me vinha embora passaram tantas músicas na rádio e, por mais esforço que faça, não me lembro agora de nenhuma. Lembro-me apenas das luzes dos candeeiros acesas, do conta-quilómetros a marcar os 120, de ouvir a melodia e de ter os pensamentos a rodopiar, o coração descansado. Lembro-me de vir a juntar palavras, a escolhê-las a dedo para transmitir exactamente o que queria. E de acordar hoje e ver que a única resposta que tinha era o silêncio. Lembro-me de serem 4 da manhã, de ter acordado com dores de garganta porque a voz não falhou e de ter respondido à Miss Bright Side, de ter lido o que o T. me disse e de ter desatado a chorar feita Madalena e de pensar que gostaria de ter sempre comigo num papel aquelas palavras, mesmo que já estejam bem guardadas comigo. Lembro-me de voltar a adormecer com os pensamentos a jogar pingue-pongue com duas bolas diferentes e de acabar por adormecer. Lembro-me de acordar 3 horas depois, 4 horas depois, 5 horas depois e de já não conseguir dormir mais apesar de todo o cansaço que me está nos ombros, nas mãos, no cérebro e no coração.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

"Consegues fechar o vento na tua mão?"

O meu dia foi estranho, muito estranho. Estranhamente, a palavra que mais tenho usado ao longo destes quase 5 meses de 2010 é "estranho". É tudo estranho. Eu sou uma quase-estranha sem horários e sem tempo para dormir. Tenho 1001 planos e rabiscos na mente, a maioria impossível. O meu pensamento ordena-se meticulosamente porque tenho de trabalhar, ou ler, ou organizar as escassas horas para encaixar sempre mais do que aquilo que posso fazer. Agora vou passear a Minnie todos os dias para ter 20 minutos só comigo, já que nem acordada me consigo manter. Agora saio mais de carro porque uma das melhores sensações é ouvir rádio e conduzir e estou sozinha e já posso ouvir tudo aquilo que tenho para me dizer.
Estou cansada. Dou por mim a pensar quantas horas dormirei, quantas conseguirei manter-me desperta, se não consigo fazer as coisas de maneira a dormir seguido ou a ir para a cama 2 ou 3 horas mais cedo. Mas não, vai tudo continuar...assim.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Não estudar. Teste. Amanhã. Stop
Dor de cabeça. Sono.Falta de vontade. Stop
Vou reprovar. Stop

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Do tempo


Confesso: nestes últimos dois meses, a noção de tempo tem-me feito muita confusão. Todos os dias me faz confusão. Porque o meu tempo é contado. É acordar com os passarinhos depois de, por vezes, adormecer e acordar para me deitar duas horas depois porque sim e é...assim. Faculdade durante 10/12 horas, almoço engolido à pressa em 10 minutos, algumas vezes numa hora porque há conversa e riso pelo meio, 20 minutos de trânsito na Ponte da Arrábida, jantar em 30 minutos, duas horas para ler o artigo, o livro, as fotocópias, passar aulas. Mais 20 minutos de banho que eu sou filha de Deus e Ele perdoa-me pela água que eu gasto, mas de facto os meus ombros e a minha nuca estão carregados de tensão que precisa de ser aliviada. Já que nunca mais fui ao Pedro-massagista-do-ginásio (outra história para contar!), que não há um McDreamy à mão de semear pra me tratar da saúde (Ups, fica tudo na Medicina!), isto tem mesmo de ser com água quente e cremezinho.

Mais 30 minutos pra cabelo, cremes, vestir. Meter-me na cama e saber que vou ficar acordada 5 minutos, que vou adormecer e acordar porque o sono é inquieto e o tempo para ele já é escasso. E 2 horas de aulas, 5 minutos para lanchar às terças e quintas; 2horas à sexta até a minha mãe chegar para me ir buscar e aproveitá-las para passar coisas a limpo ou meter-me na biblioteca ou ler ou sublinhar ou...!


O fim-de-semana com as suas...60 horas, vá. Sexta-feira dormir 12 horas e acordar sábado às 14h. Sair no sábado à noite e chegar a casa às 7.30 da manhã com dores nos pés porque tenho tido a brilhante ideia de me mandar para os paralelos do Porto ou com sapato de cunha ou então, como obrigou o vestidinho do último fim-de-semana, a uns peep-toes verdes de 12cm.

Dormir no domingo de manhã, consumir séries alarvemente ao domingo à tarde.

E, mesmo assim, com tanto livro (alguns deles com tanto pó que são dignos de provocar alergia a quem não a tem!) arranjo sempre tempo para o resto, para a conversa e o riso com os amigos, para uma saída a meio da semana mesmo que ande o resto dela a morrer de cansaço, para um fino na casa Agrícola para debitar (des)conhecimento sobre o mundo masculino com a Carol, para umas compras com a A. e a Miss Bright Side, para as 3 ou 4 chamadas que a J. me faz diariamente (mais coisa menos coisa), para dois dedos de conversa com a T., para uma conferência com o Mundo, para ir ao teatro (Antígona, brevemente tecerei as considerações a nível do gosto) ou sentar-me na relva da faculdade a rir (e a trabalhar, ora essa), pra me meter em projectos que vão durar até para o ano.



E sim, no meio disto tudo, ainda arranjo tempo para ti.

sábado, 17 de abril de 2010

"Muita conversa dá em paixão", já dizia o A.

A J. há dias perguntou-me: E se eu me apaixono?
E eu disse: apaixonas-te, corre bem por uns tempos, começa a correr mal, começam-se a afastar, depois ele diz que quer falar contigo porque tem de ser verdadeiro e espeta com um Não és tu, sou eu! na tua cara, mais umas quantas lágrimas de crocodilo porque entretanto já tem outra na mira. Choras que te fod**, dizes mal dos homens uns 2 ou 3 meses, dizes às tuas amigas que estás bem assim e que não queres ninguém, depois aparece outro e volta tudo ao mesmo.



Eu não queria pensar assim. I used to believe. Now I don't. E chegar aos 20 anos e achar isto é, no mínimo, estranho -o que nos poderia levar à velha frase A minha vida é um lixo.


Dizia-me a M. ontem, às tantas da madrugada, ela com os olhos brilhantes, eu com a sobrancelha levantada, que no dia em que sentisse que se estava a apaixonar saltava fora, que não dava, que tem consciência de tudo e que não vai ficar mal, que não vai chorar.

E eu...quanto a mim nem sequer sabia o que dizer.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Have a nice week


A sério, ainda só são 8 da manhã e eu devo estar completamente mal e ainda não descobri para ter acordado antes do despertador, para me dar ao trabalho de ligar o portátil e vir aqui. Mas é que hoje acordei por mim própria com raios de sol a bater-me na cara e o mundo cheio de sonhos (sem girar). E vou para aqui, para esta cidade que tem pedras cravejadas de passos e memórias e onde estou sempre em casa.
E agora vamos lá levantar o rabo da cama, arrumar isto (sim, porque ninguém me apanha a sair de casa com a cama por fazer!) e escolher o que vestir. Avizinha-se um sarilho e uma meia-hora deitada ao lixo.

sábado, 10 de abril de 2010

Quando o mundo gira

Há os dias em que acordamos com a luz acesa, o chão coberto de papéis, janelas de msn a piscar e amigas que nos dizem "Tu adormeceste, não adormeceste?", revistas ao lado da cama, capas e livros em cima da cama, o portátil em cima da cama, nós próprios na cama e o mundo a girar na nossa cabeça. O meu girou às 8.43h quando acordei com dores nas costas e rosnei um "vou voltar a dormir" porque o cansaço da semana era mais que muito e o tempo engoliu-me as forças e o pensamento. Mais uma volta, mais uma decisão. Deixa pra lá, penso nisso quando acordar que hoje é sábado e o meu cérebro não tem coerência para pensar em condições. Eram 14.42h quando finalmente o meu corpo achou que já chegava de descanso e os olhos se abriram. Acordei a pensar que às 8.43h o meu mundo girou e que só 10 minutos depois adormeci porque estava a pensar em possibilidades, em hipóteses sem chegar a lado nenhum. E em segundos passei pra outro pensamento: alimentar-me e dedicar-me a aulas. E de facto, durante umas duas horas estive a fazer isso ininterruptamente quando, de repente, o mundo começa a girar e dou por mim a pensar no que não queria, em quem não queria. E, ao aperceber-me disso, a recriminar-me terrivelmente por assim ser. You shouldn't feel that way. It's crazy! E depois liguei-me à Internet, vi no Facebook que o M. se tornou fã do grupo "Life is better when you decide you don't care" e em microssegundos decidi que I don't care, que está sol e eu não devia estar a pensar nessas coisas que fazem com que o mundo gire e que, afinal de contas, o melhor é decidir que I don't care porque se eu passar para o I care, o mundo não vai só girar, mas sim rodopiar, eu vou ficar demasiado tonta e desmaiar.

E cada vez mais me convenço que é por metáforas que gosto de falar.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Acabou-se o que era doce

Anatomia de Grey só no fim-de-semana agora. As outras séries idem. Sim, porque isto de se ser de Estudos Portugueses e Lusófonos tem que se lhe diga: 5 cadeiras (uma delas desdobrada, o que perfaz um total de 6), bibliografia que nunca mais acaba, trabalho que nunca mais acaba. E não é só ler as obras. É ler bibliografia sobre elas. E saber pelo menos onde está o quê. Para já não me posso queixar que tenho tudo em dia, o tempo aperta sempre, claro. Há dias em que nem pra pintar as unhas arranjo 20 minutos.
Acabaram-se as noitadas a meio da semana. É pena, mas é necessário. Eu queria muito ir à festa de anos 80 na faculdade, mas como já estou meia morta é melhor não. Sim, porque eu dormi duas horas, fui pra lá, tive uma manhã atribulada, um dia cheio de aulas, um trânsito parvo das 7.30 da tarde, uma dor de ombros terrível; ainda adormeci depois do jantar (contabiliza-se, portanto, um total de 5 horas de sono). Acordei e pensei "vamos lá passar as aulinhas e organizar as coisas". Et voilà, tudo prontinho.
Amanhã é dia de compras com as meninas, de uma sessão de má língua e de partilha de experiências. E depois um resto de dia preenchido com Colóquio Letras, chá, boa conversa, um "boa noite, beijinho" que é uma coisa tão simples mas que me vai fazer ir dormir com um sorriso.

domingo, 4 de abril de 2010

Mas é que é mesmo Primavera

A Miss Bright Side diz que com a Primavera eles começam a sair da toca, que é como quem diz, abriu a época de caça e lá vêm eles atrás de nós. Cada vez mais me convenço que isto é um fenómeno sazonal que faz com que os seres do sexo masculino se aproximem de mim mal começa a Primavera. Lá veio um, mesmo depois de 500 milhões de negas e de um (desesperado) "deixa-me em paz, não quero nada contigo", tentar a sorte. Mas, meu amigo, isto não é a Santa Casa: não há jogos de sorte e muito menos caridade. E como se não bastasse veio o outro, com um ego tão grande que era capaz de tapar o buraco da camada de ozono, dizer a uma amiga minha (como se ela não me fosse contar o que ele disse, pobrezinho) que achava que eu queria estar com ele e que podia acontecer numa noite qualquer de loucura. Por favor, internem-me este no Magalhães Lemos com medicação suficiente para o pôr a acordar no Verão de 2020 sem memória e a esquecer-se que eu existo.

sábado, 3 de abril de 2010

Ah...a Páscoa!

O paizinho ofereceu um vestido, a mamã um casaco e a avó uma camisa azul linda com um cinto. Prefiro isso a amêndoas e chocolates. Mas é claro que amanhã a T. e eu vamos estar a pedinchar ovo Kinder ao G., à Mary Anne e ao Chico. A tradição é pra se cumprir.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Do mau gosto

Mas quem é que disse às mulheres deste país que as leggins substituem as calças?
Minhas senhoras, NÃO. Leggins não são calças. São para usar com alguma coisa por cima e a tapar o rabo!
Vou eu muito descansada a sair do metro em Campanhã, vejo uma mulher com leggins que pareciam de napa com 2 botões brilhantes no tornozelo, sapatilha desportiva branca e preta, camisola vermelha pela linha da anca, logo a seguir ao umbigo e um casaco de couro justo e com umas mangas enormes e automaticamente penso que das três uma: ou aquela senhora não tem ninguém que lhe diga que está medonha, ou então a família dela é muito mentirosa e disse "Ai que estás tão gira" ou então o mau gosto é característica dela e do clã, que cá pra nós deve ser o mais provável.

A dona deste blog:

1-está de férias;
2-foi a Coimbra ontem e gostou (muito);
3-jantou com as amigas e riu-se (muito);
4-teve uma noite memorável no Altar;
5-dormiu imenso hoje para pôr os sonos em dia;
6-acabou de ler o calhamaço Poesia Maneirista;
7-tomou café com o amigalhaço C. e divertiu-se (muito);
8-está bastante bem neste momento;
9-tem mais 500 mil coisas para ler, incluindo os contos "Liamba" e "Chiromba";
10-amanhã vai às compras e vai gostar (muito).

domingo, 28 de março de 2010

Tem sido assim...

Face (O)Culta @ Triplex

(E note-se ali no joelhinho o belo trabalho do Dr. A.C. que está uma beleza e não se vê quase quase nada!)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Smile

Ainda que tenha dormido pouquíssimo, já não acordava a sorrir (assim) há muito tempo.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Obrigada, profs!

Voluptia hoje foi esfaqueada por palavras de uma maneira que ninguém imagina. Para não me deixar esquecer que a minha vida é um lixo, o assunto da aula de Barroco foi a efemeridade e transitoriedade do tempo e ainda a nossa impotência perante coisas que estão a acontecer noutros lados e que alteram a nossa vida - espectacular, pois claro.
Aula de Literatura Brasileira e vamos lá ver um filmezinho, o Black Orpheus. Personagens com discurso muito meloso e mimimi e ai que eu gosto tanto de ti (e no fim caem do precipício - Eurídice já estava morta) e muita metáfora com o sol e com a música; e um ele desesperado à procura de uma ela na morgue.
Não, profs, obrigada, mas deixem lá isso pra outro dia. Estou quase quase a preferir a aula de Medieval com as suas danças fúnebres, templários e modo de lidar com a violência em vez de ir às vossas que só me fazem andar a trocar bilhetes com a Carol e a MJ num discorrer de opinião feminina sobre as coisas da vida (com os homens) em geral; isso não é bom porque depois não estamos atentas a mais nada e dá-nos pra parvalheira e começar a inventar quadras divertidas sobre nós próprias e os que nos rodeiam.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Isto merece um post

Pela primeira vez em 19 e tal anos comprei um pijama.